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sexta-feira, 29 de março de 2013

Vygotsky? Freud? Skinner? Vocês por aqui???

PERGUNTA RÁPIDA: O que VygotskyFreud e Skinner têm em comum???


VygotskyFreud e Skinner

Como é que é??? O.o

QUE PEGADINHA É ESSA?!?!?


Não é pegadinha, não... estes três gigantes nomes da Psicologia, embora tenham suas divergências, possuem um ponto em comum que muito nos interessa:


OS 3 SÃO EVOLUCIONISTAS!


faaaaaaaaaaaaala sério!!!!!!!!!!!!
Tô falando sério!

Vygotsky, Freud e Skinner, podem não ter concordado em muita coisa. Podem ter escolhido diferentes caminhos filosóficos e científicos para conhecerem os mais diversos fenômenos psicológicos. NO ENTANTO, um ponto que é claro de se ver nas principais obras destes "GIGANTES DA PSICOLOGIA" é que eles nunca deixaram de lado que todos nós possuímos um histórico evolucionário e que conhecer mais sobre esta questão é imprescindível para se compreender melhor o ser humano.

Para os 3 autores, ainda que eles tenham dado nomes diferentes, quando interpretado ao pé da letra é possível notar que eles diziam algo como: todas as pessoas ao nascerem trazem consigo uma herança genética oriunda de um passado evolutivo. A este processo Vygotsky deu o nome de PLANO GENÉTICO e FILOGÊNESE, Freud chamou de ID e Skinner abordou a esta questão como um TIPO DE SELEÇÃO POR CONSEQUÊNCIAS (seleção filogenética).

Quando Vygotsky passou a explicar do que se tratava a ONTOGÊNESE e SÓCIOGÊNESE, Freud a falar sobre o EGO e SUPEREGO e Skinner a apresentar os demais TIPOS DE SELEÇÃO POR CONSEQUÊNCIAS (seleção ontogenética e seleção pelas práticas culturais), estes autores buscavam dar suas explicações sobre como os comportamentos, no ambiente atual, podem ser aperfeiçoadosaprendidos ou esquecidos (digamos assim). 

NESTE PONTO, É VÁLIDO DESTACAR que esses autores preocuparam-se em esclarecer que a cisão entre comportamentos provenientes do passado evolutivo e comportamentos a serem adquiridos ao longo de cada vida era meramente didática.

Em outras palavras: SIM temos um passado evolutivo e ele está embutido nos nossos genes... entretanto... eles não são imutáveis! Eles podem ser modulados de acordo com o "ambiente/contexto social" em que ele realiza suas interações!

Esta concepção demonstra um olhar muito interessante destes autores, pois mostra que eles também já tinham uma concepção clara da inexistência de dicotomias como "inato x aprendido", "genético x ambiental", "biologia x cultura", haja vista que seus olhares compreendiam uma percepção de que as duas possuem uma dada interação... 

...isto é, eles também estão aproximados a Vera Bussab e Fernando Ribeiro, quando estes defendem que nós, seres humanos, somos seres BIOLOGICAMENTE CULTURAIS!


Vygotsky, Freud e Skinner debatendo evolucionismo! hehehe

UM SALVE A VYGOTSKY, FREUD E SKINNER... a Psicologia agradece muito suas contribuições!!!



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Para esse post foram consultados os seguintes recursos:
- "Seleção por consequências" (Artigo escrito por B. F. Skinner em 1982 e traduzido para o português em 2007)

- "Psicanálise e Evolucionismo" (Vídeo-conferência realizada por Antonio Teixeira)
- "A proposta de Vygotsky: A Psicologia Sócio-Histórica" (Artigo escrito por Marcos Antonio Lucci, em 2006)
- "Biologicamente cultural" (Capítulo de livro escrito por Vera Bussab e Fernando Ribeiro, em 1998)

terça-feira, 12 de março de 2013

Luzia... uma brasileira de 11 mil anos!

Heeeeinnn??? Mas o Brasil não tem apenas 512 anos??? Como pode isso???

Pois é, pessoal... livros didáticos, costumam enfatizar a "descoberta do Brasil", acontecendo via Pedro Álvares Cabral, em meados do ano 1500!

Terraaaaaa à vistaaaa!!!!!!!!!!!!!
No entanto, esses mesmos livros contam que ao chegar naquela terra desconhecida, já haviam habitantes (que ganharam o nome de índios, haja vista que o objetivo da viagem era chegar na Índia).

Bom... algo está errado nisso tudo! Como posso dizer que foram os portugueses que descobriram nosso país, sendo que já haviam habitantes no local descoberto? Isto é, alguém já descobriu essas terras antes, não é mesmo?

Sem dúvidas! E isso é um assunto já bastante discutido entre historiadores, sociólogos, antropólogos, etc...
OK... MAS E O QUE A PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA TEM A VER COM ISSO?

Donald Johanson e Lucy
(nome inspirado na música dos Beatles:
Lucy in the sky with diamonds)
Bom... a grosso modo pode parecer que não tem nada a ver! Mas é nessa hora que vale a pena considerar que a Psicologia Evolucionista é um campo de conhecimento que possui diálogo com outras fontes de conhecimento... no caso a ser destacado aqui, a conversa será por conta de campos como a ARQUEOLOGIA PALEONTOLOGIA.


Na década de 70, no Estado de Minas Gerais (mais precisamente na região de Lagoa Santa), foi encontrado (em meio a escavações) um crânio de aproximadamente 11mil anos de idade. Em alusão ao famosíssimo hominídeo "Lucy", descoberto na Etiópia pelo paleantropólogo Donald Johanson, o crânio descoberto em terras tupiniquins ganhou o nome de Luzia.

Uma série de acontecimentos fizeram de Luzia mais e mais famosa no meio científico. No entanto, seu ápice chegou, em meados dos anos 90, quando a BBC resolve financiar uma reconstrução craniofacial de Luzia, com o intuito de realizar um documentário sobre o povoamento das Américas, na pré-história.

Walter Neves

Outra questão que também elevou o nome de Luzia, diz respeito ao impacto causado pelas publicações do bioantropólogo Walter Neves. Em 1998, enquanto participava de um evento científico nos EUA, Neves propôs uma nova teoria para a ocupação do continente americano.

OPA... CALMA AÍ!!!

Nova teoria? Mas qual é a velha teoria então?



Pois então, sugere-se que os homo sapiens modernos saíram da Africa (seu local de origem) em torno de 40mil anos atrás. Várias foram as correntes migratórias, sendo uma delas para o sul da Ásia.


Aos poucos, os homo sapiens foram migrando em inúmeras localidades, até que, finalmente, uma parcela destes chegaram ao norte asiático. Desta localidade, tiveram condições de atravessar o Estreito de Behring e assim chegar na América.

A partir desta teoria, bem como de outras considerações, como as características morfológicas, por exemplo, compreende-se que a etnia dos indígenas seria proveniente dos asiáticos. No entanto, as características morfológicas de Luzia aproximam-se mais de aspectos encontrados em africanos, do que em indígenas.

Seria então, a América povoada, inicialmente, por africanos?

Bom, um fato a ser mencionado é que da leva de homo sapiens que saíram da Africa, alguns acabaram povoando o sudeste asiático, para em seguida partirem para a região australo-melanésica. Entende-se que esta leva de migrantes seriam então os ancestrais dos aborígenes australianos.

Crânio de Luzia
Walter Neves (e colaboradores) aponta que as características morfológicas de Luzia eram semelhantes a de outros fósseis de mesma idade, encontrados na Austrália, Melanésia e Africa. Este fator remonta que Luzia pertence a um estoque populacional humano que veio anteriormente aos humanos que conhecemos hoje, isto é, já tem características de homo sapiens moderno, mas é de uma linhagem que gerou as etnias atuais (caucasianos, negros, asiáticos, etc.).

Luzia seria então pertencente a uma leva de migrantes que teriam chego nas Américas bem antes dos asiáticos, que chegaram via Estreito de Behring, no extremo norte das Américas. A forma como a marcha de migrantes homo sapiens, da qual pertence Luzia, chegaram nas Américas é ainda muito discutida entre especialistas, no entanto, sua semelhança morfológica com os aborígenes australianos sugere que eles tenham vindo da Austrália.

Reconstituição da face de Luzia
Tanto a possibilidade das Américas terem sido migradas inicialmente por africanos, quanto a própria imagem gerada pela reconstituição de Luzia (apresentando sua coloração de pele sendo negra), encadearam uma série de debates midiáticos carregando a bandeira de nosso passado (enquanto brasileiros) ligado a ascendência negra. Em relação a isso, é válido mencionar que o próprio Walter Neves buscou ser cuidadoso ao expor o assunto alertando que embora seja muito provável que a pele dos homo sapiens africanos  seja negra (dado o clima quente da época, favorecendo a produção de mais melaninas), ainda não se sabe se de fato a cor da pele dos africanos eram negras ou se a cor surgiu depois.

No âmbito da Psicologia Evolucionista, o caso de Luzia torna-se instigante mediante a possibilidade de ela nos levar a caminhos que permitam melhor compreensão das raízes culturais americanas. Esta consideração reforça ainda mais a concepção inicial deste post, do quanto a Psicologia Evolucionista está plugada em outras áreas, para fazer as análises que lhe compete: os primórdios da cognição e comportamento humano.

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Para esse post foram consultadas as seguintes obras:
"O povo de Luzia: em busca dos primeiros africanos" (Autores: Walter Neves e Luis Piló)
- "A cor dos ossos: narrativas científicas e apropriações culturais sobre 'Luzia', um crânio pré-histórico do Brasil" (Autores: Verlan Neto e Ricardo Santos)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um brinde à amizade!

"Amizade é um amor que nunca acaba" (Mario Quintana)

Como é bom ter amigos, não é? 

Ter aquele(s) parceiro(s) que tanto acalenta(m) as dores em momentos difíceis quanto transforma(m) situações que poderiam passar despercebidas em instantes únicos e inesquecíveis.

Michel Foucault
(15/10/1926 - 25/06/1984)
O filósofo francês Michel Foucault via na amizade uma forma de reinventar a vida e superar criativamente as relações de dominação entre as pessoas.

Com efeito, em tempos de crise, amigos possuem um enorme potencial para diminuir efeitos do estresse, melhorar o humor e auto-estima, bem como favorecer em estratégias de resolução de problemas.

Além do mais, rotineiramente são divulgados estudos demonstrando o quanto vínculos de amizade estão atrelados à saúde, bem-estar e prolongamento da vida.

ENFIM... NADA COMO UM BOM AMIGO, NÃO É???

Em contraponto, presenciamos atualmente um tempo cujo convite à solidão e individualismo estão incrivelmente mais atraentes. O livro é de AUTO-AJUDA, o restaurante é SELF-SERVICE, e por aí se vai numa infinidade de outros exemplos que reforçam mais e mais a ideia estadunidense de SELF-MADE MAN!

Porém, longe de estar criticando os benefícios deste modo de vida (que contribuem muito em aspectos como a autonomia, inclusive) reconhece-se também o quanto a sociedade vem se modificando bastante, a ponto de se reelaborar formas de pensar o que é família, repaginar os modos de convívio social e do quanto os laços de amizade contribuem para um relacionamento amoroso mais saudável.

FRIENDS, série cuja trama se desenrolava em torno de um grupo de amigos que, desastres a parte, forneciam um ótimo apoio social nas dificuldades dos componentes do grupo.

Trazendo a conversa pro campo da etologia, estudos com primatas demonstram que a maioria deles também costumam se organizar em grupos, com mais de três adultos.

Na maioria das espécies animais, em situações de conflito, quem vence é o maior, mais forte ou o que possui algum atributo físico que lhe forneça vantagem na batalha.

Em contrapartida, primatas contam não só com seus atributos físicos, como também com suas estratégias sociais. No caso, há um maior investimento, por parte dos primatas, na construção de alianças, favorecendo que membros, com porte físico inferior ao adversário, possam triunfar (haja vista o auxílio dos aliados presentes).

Um outro componente importante, vincula-se a questão de que indivíduos com mais habilidades para a formação e manutenção de alianças, costumam ter também maior sucesso reprodutivo.

Estas informações fornecem interessantes pistas para um rastreamento do nosso passado ancestral, no que diz respeito a amizade e organização social. Haja vista os registros fósseis indicando que a vida em comunidade já era uma realidade para nossos ancestrais. 

A formação de vínculos grupais para o auxílio na caça e proteção, pode requerer um cérebro com capacidades de prever o comportamento alheio e, também, contribuir para que o próprio comportamento não seja previsível (olha o início do comportamento de malandragem aí! HAHAHA).

Dado o fato de que ficar sozinho e longe do acampamento poderia refletir em um grande risco, uma vez que a estrutura física da maioria dos primatas, inclusive a nossa, não seja lá grande coisa, sugere-se que todos nós (Homo-sapiens) sejamos descendentes, primordialmente, daqueles que sabiam trabalhar em grupo (haja vista o baixo sucesso reprodutivo dos que optavam por ficarem sozinhos).

Este raciocínio ganha mais força quando registros fósseis denunciam o fato da expansão do cérebro coincidir com a época em que, o gênero Homo, passou a habitar predominantemente campos abertos e construir ferramentas. 

Neste ponto é válido ressaltar o quanto a capacidade de produzir instrumentos de auxílio (ferramentas) incide em um alto grau de desenvolvimento cerebral, levando-se em conta que para produzir uma ferramenta, faz-se necessário que se tenha capacidades de planejamentos e raciocínios a longo prazo, para que se possa projetar um material que seja eficaz.

ALTRUÍSMO RECÍPROCO vs EMPATIA

Em 1971, Robert Trivers postulou uma controversa teoria, da qual ele chamou de "Altruísmo recíproco". Segundo ele, os animais, longe de serem solidários e cooperativos, agem de modo egoísta e os custos dos favores prestados devem ser recompensados.

No reino animal como um todo, existem cooperações com não-parentes, porém elas acontecem mediante pagamentos imediatos. Já no caso dos seres humanos, por terem passado por esse histórico ancestral (destacados anteriormente), o desenvolvimento de funções cognitivas mais refinadas permite que haja uma maior negociação a longo prazo, havendo a possibilidade de que o favor seja pago mais pro futuro.

Esta capacidade do ser humano, permite-o lembrar e avaliar aqueles que merecem continuar recebendo favores. Para os que não retribuem, acontece um processo cujo relacionamento sofre uma ruptura (deixa-se de oferecer benefícios ao trapaceiro).

Em oposição a esta ideia, Frans de Waal acredita na capacidade de solidariedade dos animais, sobretudo na dos humanos, mediadas pela capacidade empática. Conforme já comentei aqui (em um post sobre empatia), é possível encontrar casos de pessoas que chegam a arriscar a própria vida para salvar a de outros, ou então de pessoas doando anonimamente utensílios ou dinheiro, para pessoas que não conhece e que provavelmente não terá nenhum outro contato no futuro. Condições estas que tornam a hipótese do "altruísmo recíproco" insustentáveis. Além do mais, Frans de Waal já encontrou exemplos de solidariedade, altruísmo, senso de justiça e cooperação em outros primatas, elefantes e golfinhos.

Assim, para entender como a amizade foi possível, atribui-se a possibilidade de ser uma espécie de sub-produto da evolução da cooperação entre indivíduos da mesma família.

Falando de outra maneira, aceleradas modificações no ambiente podem ter sido rápidas a ponto de que nossos comportamentos não conseguiram tempo suficiente para se adaptarQuando os comportamentos de amizade foram se estabelecendo, ao longo da evolução, as comunidades mal possuíam 100 pessoas, sendo grande parte destas, aparentados.

Para isto, lembremos que parentes (familiares) possuem nossos genes, então é maior a probabilidade de providenciarmos benefícios a estes. As sociedades foram crescendo, crescendo, crescendo, até que começou a dificultar na identificação de quem era parente ou não. Os indivíduos não parentes, de certa maneira passaram a substituir os familiares.

Agora, soma-se a isso, nossa capacidade de empatia. Pronto... chegamos ao que conhecemos hoje por essa forma de relação, que aconteceu meio que por acidente, mas que mesmo assim é tão boa.

FELIZ DIA DO AMIGO!!!

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Para esse post foram consultados textos dos livros:
- "O gene egoísta" (Autor: Richard Dawkins)
"Fundamentos de Psicologia: Psicologia Evolucionista" (Organizado por: Emma Otta e Maria Emilia Yamamoto)
- "A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil" (Autor: Frans de Waal)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eu só quero é ser FELIZ...

...e andar tranquilamente na favela onde eu nasci (...)"


ÉÉÉÉÉÉÉÉ! Se você, ali por meados da década de 90, já tinha (no mínimo) seus 6 ou 7 anos, eu tenho inúmeras razões para acreditar que você já ouviu a música citada acima MAIS DE UMA VEZ.


Nesta música, Cidinho e Doca (cantores e compositores da música) expressam um grande desejo: SER FELIZ!


O que se torna mais interessante é que, mesmo com o restante da música descrevendo a realidade vivida nas periferias, assim como protesta contra a violência nas favelas e reivindica o descaso do Estado na hora de cuidar desse assunto, o trecho "eu só quero é ser feliz (...)" acabou se tornando uma frase de uso comum em diferentes contextos, por diferentes pessoas, para diferentes finalidades.




Esta condição toda, denota um anseio comum entre as pessoas: SER FELIZ.


Mas por que ser feliz
O que nos torna felizes?
Existem pessoas que, de fato, são felizes
Ou seria a felicidade apenas uma utopia?


Para responder a questões como estas, convido aqui, o psicólogo Daniel Gilbert





quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ser bom me faz bem... E PONTO!


É comum, para nós psicólogos, ouvir perguntas como: “o quê a Psicologia estuda?”

Cada um deve ter uma resposta na ponta da língua para esse tipo de pergunta ou, se não tem, fica todo embaraçado para responder. Muitas vezes, não porque não saiba responder, mas porque estudar Psicologia engloba uma gama de complexidades que dificultam na hora de sintetizar uma resposta rápida e satisfatória. 

Psicologia? Ah sim, claro! Bem... vejamos... ãhn... é... enfim!

Bom, em meu caso, eu costumo responder que “a Psicologia estuda o modo como os seres humanos moldam e são moldados por circunstâncias que nem sempre estão tão visíveis assim”.

Com efeito, é possível ainda que, logo em seguida, possa vir uma réplica: “mas se não estão visíveis, e eu sendo um ser humano, como posso ser um psicólogo?”

Minha resposta é rápida: EMPATIA!!!!!

Tudo começa pela empatia. Sair da sua posição e colocar-se na posição da outra pessoa. Enxergar o mundo como ela enxerga, permitir aflorar os sentimentos tal qual ela provavelmente sente, frente a situação específica. Exercitar essa capacidade tão refinada que é a empatia.

...e num é que é verdade mesmo!?!?!

Mas, aprofundando-se um pouquinho mais no tema, uma questão faz-se necessária: 

...E É ESSA TAL DE EMPATIA, HEIN!?

...SÓ HUMANOS A POSSUEM?

...PRA QUE ELA SERVE?

Éééééé... que perguntas mais enxeridas são essas, hein? Aaaahhhh... mas não pode-se abaixar a cabeça, não! Aqui a regra é a mesma do BOPE, diz aí Capitão Nascimento:

Missão dada É MISSÃO CUMPRIDA!

Positivo, senhor!

Começando pela parte mais fácil (lógico), quando se fala em empatia, sua definição vincula-se a capacidade de presumir/compreender/reconhecer os sentimentos, pensamentos, comportamentos do outro (como dito no começo desse post: colocar-se no lugar do outro).

A medida que a capacidade empática vai se aflorando, um desconforto impulsiona uma classe de comportamentos (simpatia, solidariedade, compaixão, preocupação, etc.), que por sua vez, tendem a mobilizar o sujeito a prestar auxílio àquela outra pessoa que necessita. Este auxílio, pode ocorrer de modo voluntário ou não.

A EMPATIA funciona como uma espécie de gatilho
para que comportamentos pró-sociais (solidariedade,
compaixão, carinho, altruísmo, etc.) aconteçam
É muito comum ler notícias nos jornais apontando para alguém que arriscou a própria vida para salvar a de outra, situações de catástrofes envolvendo várias pessoas recebendo doações, de desconhecidos, dos mais longínquos lugares... enfim, notificações de solidariedade e compaixão se tem aos montes pela mídia, pelo dia-a-dia.

Esses comportamentos (conhecidos como comportamentos pró-sociais) são possíveis, graças a nossa capacidade em nos contagiar com as necessidades alheias, nos colocar no lugar do outro... ou seja, cerveja EMPATIA!

Por muito tempo acreditou-se que a empatia tratava-se de uma característica essencialmente humana, no entanto, estudos recentes apontam esta competência como um atributo presente em macacos-prego, chimpanzés, bonobos e, até mesmo, em golfinhos e elefantes. 

Observar em outros animais essa capacidade de contagiar-se pelo humor de outrem, abre um leque de possibilidades e hipóteses para o entendimento da empatia. 

Ao pensar no parâmetro evolucionista do assunto, na espécie humana, percebe-se que esta habilidade foi importante para a coesão grupal, haja vista que tal competência favorece uma grande gama de comportamentos, como por exemplo: efeitos intergrupais de cooperação, comportamentos de zelo e proteção com o outro, interações mais agradáveis, diminuição dos conflitos grupais e respeito às normas de convívio social.

Para compreender melhor esse assunto, sob o ponto de vista da Psicologia Evolucionista, sugiro que assista o seguinte vídeo, com o primatologista Frans de Waal:


Por fim, a habilidade empática, sob um prisma da evolução, nos demonstra que possuímos uma capacidade em fazer o bem ao próximo, sem que isso haja necessariamente um ganho secundário... mas isso já é outro papo, que é melhor deixar para um outro post!

Por agora, lanço o desafio:

RESISTA A ESTA IMAGEM
oooouuuuunnnnn!!!!


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Para esse post foram consultados os seguintes livros, artigos e recursos áudio-visuais:
Conferência do sociólogo Sam Richards, no TEDxPSU
- "A era da empatia" (Autor: Frans de Waal)
- "Meninos pré-escolares empáticos e não-empáticos: empatia e procedimentos educativos dos pais" (Autores: Fabíola A. Garcia-Serpa, Zilda Del Prette e Almir Del Prette)
- "Empathic interactions between parents and children: an exploratory study" (Autores: Rafael Carvalho e Maria Lúcia Seidl-de-Moura)