Mostrando postagens com marcador Causas últimas e causas próximas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Causas últimas e causas próximas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de março de 2013

Vygotsky? Freud? Skinner? Vocês por aqui???

PERGUNTA RÁPIDA: O que VygotskyFreud e Skinner têm em comum???


VygotskyFreud e Skinner

Como é que é??? O.o

QUE PEGADINHA É ESSA?!?!?


Não é pegadinha, não... estes três gigantes nomes da Psicologia, embora tenham suas divergências, possuem um ponto em comum que muito nos interessa:


OS 3 SÃO EVOLUCIONISTAS!


faaaaaaaaaaaaala sério!!!!!!!!!!!!
Tô falando sério!

Vygotsky, Freud e Skinner, podem não ter concordado em muita coisa. Podem ter escolhido diferentes caminhos filosóficos e científicos para conhecerem os mais diversos fenômenos psicológicos. NO ENTANTO, um ponto que é claro de se ver nas principais obras destes "GIGANTES DA PSICOLOGIA" é que eles nunca deixaram de lado que todos nós possuímos um histórico evolucionário e que conhecer mais sobre esta questão é imprescindível para se compreender melhor o ser humano.

Para os 3 autores, ainda que eles tenham dado nomes diferentes, quando interpretado ao pé da letra é possível notar que eles diziam algo como: todas as pessoas ao nascerem trazem consigo uma herança genética oriunda de um passado evolutivo. A este processo Vygotsky deu o nome de PLANO GENÉTICO e FILOGÊNESE, Freud chamou de ID e Skinner abordou a esta questão como um TIPO DE SELEÇÃO POR CONSEQUÊNCIAS (seleção filogenética).

Quando Vygotsky passou a explicar do que se tratava a ONTOGÊNESE e SÓCIOGÊNESE, Freud a falar sobre o EGO e SUPEREGO e Skinner a apresentar os demais TIPOS DE SELEÇÃO POR CONSEQUÊNCIAS (seleção ontogenética e seleção pelas práticas culturais), estes autores buscavam dar suas explicações sobre como os comportamentos, no ambiente atual, podem ser aperfeiçoadosaprendidos ou esquecidos (digamos assim). 

NESTE PONTO, É VÁLIDO DESTACAR que esses autores preocuparam-se em esclarecer que a cisão entre comportamentos provenientes do passado evolutivo e comportamentos a serem adquiridos ao longo de cada vida era meramente didática.

Em outras palavras: SIM temos um passado evolutivo e ele está embutido nos nossos genes... entretanto... eles não são imutáveis! Eles podem ser modulados de acordo com o "ambiente/contexto social" em que ele realiza suas interações!

Esta concepção demonstra um olhar muito interessante destes autores, pois mostra que eles também já tinham uma concepção clara da inexistência de dicotomias como "inato x aprendido", "genético x ambiental", "biologia x cultura", haja vista que seus olhares compreendiam uma percepção de que as duas possuem uma dada interação... 

...isto é, eles também estão aproximados a Vera Bussab e Fernando Ribeiro, quando estes defendem que nós, seres humanos, somos seres BIOLOGICAMENTE CULTURAIS!


Vygotsky, Freud e Skinner debatendo evolucionismo! hehehe

UM SALVE A VYGOTSKY, FREUD E SKINNER... a Psicologia agradece muito suas contribuições!!!



=========================================================
Para esse post foram consultados os seguintes recursos:
- "Seleção por consequências" (Artigo escrito por B. F. Skinner em 1982 e traduzido para o português em 2007)

- "Psicanálise e Evolucionismo" (Vídeo-conferência realizada por Antonio Teixeira)
- "A proposta de Vygotsky: A Psicologia Sócio-Histórica" (Artigo escrito por Marcos Antonio Lucci, em 2006)
- "Biologicamente cultural" (Capítulo de livro escrito por Vera Bussab e Fernando Ribeiro, em 1998)

terça-feira, 12 de março de 2013

Luzia... uma brasileira de 11 mil anos!

Heeeeinnn??? Mas o Brasil não tem apenas 512 anos??? Como pode isso???

Pois é, pessoal... livros didáticos, costumam enfatizar a "descoberta do Brasil", acontecendo via Pedro Álvares Cabral, em meados do ano 1500!

Terraaaaaa à vistaaaa!!!!!!!!!!!!!
No entanto, esses mesmos livros contam que ao chegar naquela terra desconhecida, já haviam habitantes (que ganharam o nome de índios, haja vista que o objetivo da viagem era chegar na Índia).

Bom... algo está errado nisso tudo! Como posso dizer que foram os portugueses que descobriram nosso país, sendo que já haviam habitantes no local descoberto? Isto é, alguém já descobriu essas terras antes, não é mesmo?

Sem dúvidas! E isso é um assunto já bastante discutido entre historiadores, sociólogos, antropólogos, etc...
OK... MAS E O QUE A PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA TEM A VER COM ISSO?

Donald Johanson e Lucy
(nome inspirado na música dos Beatles:
Lucy in the sky with diamonds)
Bom... a grosso modo pode parecer que não tem nada a ver! Mas é nessa hora que vale a pena considerar que a Psicologia Evolucionista é um campo de conhecimento que possui diálogo com outras fontes de conhecimento... no caso a ser destacado aqui, a conversa será por conta de campos como a ARQUEOLOGIA PALEONTOLOGIA.


Na década de 70, no Estado de Minas Gerais (mais precisamente na região de Lagoa Santa), foi encontrado (em meio a escavações) um crânio de aproximadamente 11mil anos de idade. Em alusão ao famosíssimo hominídeo "Lucy", descoberto na Etiópia pelo paleantropólogo Donald Johanson, o crânio descoberto em terras tupiniquins ganhou o nome de Luzia.

Uma série de acontecimentos fizeram de Luzia mais e mais famosa no meio científico. No entanto, seu ápice chegou, em meados dos anos 90, quando a BBC resolve financiar uma reconstrução craniofacial de Luzia, com o intuito de realizar um documentário sobre o povoamento das Américas, na pré-história.

Walter Neves

Outra questão que também elevou o nome de Luzia, diz respeito ao impacto causado pelas publicações do bioantropólogo Walter Neves. Em 1998, enquanto participava de um evento científico nos EUA, Neves propôs uma nova teoria para a ocupação do continente americano.

OPA... CALMA AÍ!!!

Nova teoria? Mas qual é a velha teoria então?



Pois então, sugere-se que os homo sapiens modernos saíram da Africa (seu local de origem) em torno de 40mil anos atrás. Várias foram as correntes migratórias, sendo uma delas para o sul da Ásia.


Aos poucos, os homo sapiens foram migrando em inúmeras localidades, até que, finalmente, uma parcela destes chegaram ao norte asiático. Desta localidade, tiveram condições de atravessar o Estreito de Behring e assim chegar na América.

A partir desta teoria, bem como de outras considerações, como as características morfológicas, por exemplo, compreende-se que a etnia dos indígenas seria proveniente dos asiáticos. No entanto, as características morfológicas de Luzia aproximam-se mais de aspectos encontrados em africanos, do que em indígenas.

Seria então, a América povoada, inicialmente, por africanos?

Bom, um fato a ser mencionado é que da leva de homo sapiens que saíram da Africa, alguns acabaram povoando o sudeste asiático, para em seguida partirem para a região australo-melanésica. Entende-se que esta leva de migrantes seriam então os ancestrais dos aborígenes australianos.

Crânio de Luzia
Walter Neves (e colaboradores) aponta que as características morfológicas de Luzia eram semelhantes a de outros fósseis de mesma idade, encontrados na Austrália, Melanésia e Africa. Este fator remonta que Luzia pertence a um estoque populacional humano que veio anteriormente aos humanos que conhecemos hoje, isto é, já tem características de homo sapiens moderno, mas é de uma linhagem que gerou as etnias atuais (caucasianos, negros, asiáticos, etc.).

Luzia seria então pertencente a uma leva de migrantes que teriam chego nas Américas bem antes dos asiáticos, que chegaram via Estreito de Behring, no extremo norte das Américas. A forma como a marcha de migrantes homo sapiens, da qual pertence Luzia, chegaram nas Américas é ainda muito discutida entre especialistas, no entanto, sua semelhança morfológica com os aborígenes australianos sugere que eles tenham vindo da Austrália.

Reconstituição da face de Luzia
Tanto a possibilidade das Américas terem sido migradas inicialmente por africanos, quanto a própria imagem gerada pela reconstituição de Luzia (apresentando sua coloração de pele sendo negra), encadearam uma série de debates midiáticos carregando a bandeira de nosso passado (enquanto brasileiros) ligado a ascendência negra. Em relação a isso, é válido mencionar que o próprio Walter Neves buscou ser cuidadoso ao expor o assunto alertando que embora seja muito provável que a pele dos homo sapiens africanos  seja negra (dado o clima quente da época, favorecendo a produção de mais melaninas), ainda não se sabe se de fato a cor da pele dos africanos eram negras ou se a cor surgiu depois.

No âmbito da Psicologia Evolucionista, o caso de Luzia torna-se instigante mediante a possibilidade de ela nos levar a caminhos que permitam melhor compreensão das raízes culturais americanas. Esta consideração reforça ainda mais a concepção inicial deste post, do quanto a Psicologia Evolucionista está plugada em outras áreas, para fazer as análises que lhe compete: os primórdios da cognição e comportamento humano.

=========================================================
Para esse post foram consultadas as seguintes obras:
"O povo de Luzia: em busca dos primeiros africanos" (Autores: Walter Neves e Luis Piló)
- "A cor dos ossos: narrativas científicas e apropriações culturais sobre 'Luzia', um crânio pré-histórico do Brasil" (Autores: Verlan Neto e Ricardo Santos)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Vamu brincáááááá?????

Vamuuuuu!!!!!!!!! \o/

Ahhhh... a infância! 


Etapa da vida marcada por inúmeros estresses devido a pesadelos baseados em contos macabros (muahahahahaha), pela ansiedade de que seja servido logo o almoço e então ter a permissão de sair na rua jogar aquele futebol maroto com os parceiros da vizinhança, pela depressão em ver aquele seu carrinho com a roda quebrada e receber um não de seus pais ao solicitar por um novo... Eta vida difícil!!!

Afff... que tédio, viu!!!

Esperaaaaa... eu tava só BRINCANDO, viu!!!


Deixe-me explicar... De fato, a infância envolve tais considerações que mencionei acima. Mas claro, não que isso mereça uma atenção para cuidado e acompanhamento profissional! Desde que NÃO sejam condições que afetam o desempenho social, que NÃO causam danos pessoais e/ou que NÃO persistam ou agravem por um período significativo (em torno de 6 meses, mais ou menos)... elas fazem parte do desenvolvimento do infante e exercem muita importância para sua maturação!

Pois bem... antes de continuarmos nossa conversa, gostaria que olhassem ao seguinte vídeo, que mostra um rápido trailer de um belíssimo documentário que acompanha o primeiro ano de vida de quatro crianças de diferentes culturas:


Ainda que acompanhar apenas o trailer não substitua a importância de assistir o documentário como um todo, já dá para ter uma breve noção de que as 4 crianças estão expostas às mais diferentes contingências - demarcadas pela sua limitação física, cultural e social. Estas condições ontogenéticas implicarão em adultos com diferentes habilidades... EIS O PODER DA INTERAÇÃO ORGANISMO-AMBIENTE!

Porém, outro ponto que é possível observar no trailer - e mais ainda no documentário - é um comportamento que, independentemente da cultura, está presente, sobretudo, no repertório infantil: O BRINCAR!!!

Ainda que a vida na sociedade urbana permita que a criança tenha acesso a brinquedos mais sofisticados, logo no início do trailer é possível ver duas crianças, pertencentes a uma tribo africana, moradora de uma longínqua aldeia, brincando com pedaços de madeira e plástico. Além do mais, o comportamento de brincar não exige necessariamente a utilização de um instrumento, como também pode estar envolvido a simulação de uma situação (faz-de-conta) ou, então, a imitação de movimentos.

Indo mais longe do que o vídeo pode elucidar, é possível destacar que o comportamento de brincar também é passível de observação em vários outros filhotes de mamíferos.

Estas informações fortalecem a compreensão de que há, no "brincar" uma raiz evolucionista.

No que tange a relação entre causas próximas e causas últimas, o comportamento de brincar possui um complexo nível de análise, haja vista que é algo pertinente à filogenia mas que encontra sua expressão na ontogenia.

GABRIEL, PAAAAAARE DE FICAR COMPLICANDO!!!

Calma... vou explicar! (oh gente estressada, viu!)

Trocando as palavras, o brincar em si é uma condição presente em todas as crianças no mundo inteiro. As formas de brincar vão depender muito das condições ambientais, isto é, das práticas culturais daquele lugar, bem como as disponibilidades de recursos ali presentes (ontogenia). 

Tudo isso, ao longo da evolução dos mamíferos - sobretudo em nossa linhagem primata - desempenhou um importante papel na evolução, haja vista que por meio da brincadeira o infante ensaia movimentos, simula situações, molda habilidades e resolve problemas, preparando assim um repertório de comportamentos a ser utilizado na vida adulta, auxiliando na identificação de situações de perigo e no enfrentamento de dificuldades (filogenia).

Melhor agora?

Siiiiiiiiiiimmmmmm!!!!!! =D

Ah... que bom!!!

E para que saiba um pouquinho mais sobre o assunto, é válido mencionar que diversas pesquisas demonstram que há diferenças de gênero no comportamento de brincar. Isto é, meninos e meninas costumam ter preferencias distintas quando vão brincar. Elas tendem a enfatizar brincadeiras de cooperação entre companheiros e preferem brincar em grupos pequenos, enquanto eles buscam mais brincadeiras que estabelecem hierarquias e interagem com mais facilidade em grupos maiores.

No faz-de-conta, o tema preferido dos meninos sempre recorre a questões fantásticas e que explorem o vigor físico (como lutas ou encenando um super-herói) em detrimento das meninas que exploram histórias de modo mais sofisticado e cheio de detalhes, como temas dramáticos ou domésticos.

Esta dimensão, ainda que tenha todo um incentivo social que reforçam esteriótipos de o que é coisa de menino e de menina, pode também estar dando pistas acerca da concepção do que espera-se que tais gêneros desempenhem na vida adulta, dada as características necessárias para o convívio adulto de homens e mulheres e seu papel na organização social ao longo da evolução.

Além do mais, brincar é muito divertido, auxilia no desenvolvimento psicomotor, psicossocial e psicoafetivo, contribui para a saúde, para um melhor desempenho cognitivo... enfim, BRINCAR É TUDO DE BOM!!!

E para finalizar, vou deixar aqui meu feliz dia das crianças PARA TODOS NÓS!!! 

Isso mesmo, TODOS NÓS!!! Mas se você acha que já não se enquadra mais dentre as pessoas cujo felicitei com meus votos, SUGIRO UMA RÁPIDA AUDIÇÃO DA SEGUINTE MÚSICA:





=========================================================
Pessoal, para esse post utilizei-me de informações (artigos) disponibilizados pelo site do NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM DESENVOLVIMENTO INFANTIL (NEPeDI)
Recomendo que visitem o site (clicando no link acima), caso queiram se aprofundar mais no assunto.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Arrependimento nas relações casuais e nos relacionamentos de longo prazo: diferenças de gênero

Olá pessoal! Este é meu primeiro post no Blog, depois do convite do ilustre amigo Gabriel para me juntar ao time de entusiastas da Psicologia Evolucionista aqui presente. Da mesma forma que tem sido feito aqui no Blog, pretendo dar continuidade ao caráter leve e bem humorado (estilo #cqc #praçaenossa #zorratotal) de debater os mais diversos assuntos sob a ótica evolucionista.

Para iniciar, sabendo do meu interesse por relacionamentos claro, depois de ter levado tanto pé na bunda, resolvi escrever um pouco sobre os arrependimentos que homens e mulheres sentem nas suas relações casuais e nos relacionamentos de longo prazo, inclusive citando um estudo americano em que algumas características/atributos do(a) parceiro(a) também foram levantados.

Arrependemos-nos de muitas coisas em nossas vidas: de não ter visto um parente antes de sua morte (do parente, claro); de ter escolhido o curso errado na faculdade; de não ter feito tratamento para calvície (caso real); de ter se envolvido sexualmente com uma ninfomaníaca ainda não perdi as esperanças, etc. Estes arrependimentos vêm, geralmente, acompanhados de culpa, frustração, sentimento de impotência, raiva... E, aparentemente, estes arrependimentos pioram quando falamos em relacionamentos amorosos, devido à alta carga energética que investimos nas relações. Mas será que existem diferenças entre os arrependimentos de homens e mulheres no mundo ingrato do amor?

Este é um belo exemplo de arrependimento de ação e inação:
de ação por ter feito esse álbum e de inação por não ter ido
ao cabeleireiro antes dessa foto
Aparentemente: Sim. Estudos de Roese et al (2006) indicam que homens tendem a ter mais arrependimentos de inação (irei chamar de arrependimento de INAÇÃO aquele que a pessoa se arrepende de NÃO TER FEITO determinada coisa; enquanto que o arrependimento de AÇÃO é aquele que a pessoa se arrepende de TER FEITO determinada coisa) em relacionamentos de longo prazo do que arrependimentos de ação; enquanto que as mulheres tendem a ter os dois tipos de arrependimentos (de ação e inação).  


Já nos relacionamentos sexuais casuais, há diferenças mais extremas entre os arrependimentos de homens e mulheres: aqueles sentem mais arrependimentos de inação (arrependimento de não terem feito sexo com uma mulher), enquanto estas sentem mais arrependimentos de ação (por terem feito sexo com um homem). Os homens podem sentir mais arrependimento de não terem feito relação casual com uma mulher porque “essa é a função do homem” ou “não faço mais do que minha obrigação”, e se a mulher for bonita, ouve-se o “o que eu poderia fazer? Negar sexo pra aquela gata?”. Já para mulher, fazer sexo casual pode ser frustrante para sua reputação com outros homens; ou ainda fizeram sexo por serem mais frágeis fisicamente ou por terem caído no “conto do vigário”, causando arrependimentos.

Para tentar entender um pouco mais destes fenômenos, vamos beber um pouco da fonte das teorias de estratégias sexuais, que apontam diferenças entre homens e mulheres na escolha e manutenção de parceiros:

- Diferenças de gênero no investimento parental: Enquanto as mulheres ao longo da história evolucionária humana tiveram que suportar os bebês por 9 meses, alimentá-los e cuidá-los, para os homens coube o papel de “gozar” e, no máximo, sair em busca de recursos (como alimentos) para os “pequerruchos”;

- Diferenças de gênero na quantidade de parceiros sexuais: Para o homem ancestral ter múltiplas parceiras sexuais significava um grande sucesso reprodutivo, pois se fizesse sexo com 10 mulheres poderia significar 10 filhos num período de 9 meses, garantindo assim o aumento de sua prole. Já para a mulher ter 10 parceiros sexuais não significava um maior sucesso reprodutivo, pois por mais que fizesse sexo com todos os parceiros, sua prole continuava sendo de 1 filho em 9 meses. Ou seja, não há benefício algum em manter tantos parceiros, muito mais benéfico ter um (ou poucos), mas que possam contribuir na criação do filho;

Este é um belo filme para quem quiser conhecer mais
profundamente (rs) as estratégias sexuais do homem ancestral.
- Diferenças no desejo sexual: Pesquisadores como David P. Schmitt (e 188 colaboradores, 2003) procuraram conhecer as estratégias sexuais por meio de uma pesquisa com 16 mil pessoas (entre homens e mulheres) de 52 nações do planeta, representando os 6 continentes, incluindo 13 ilhas.  Este estudo indicou que os homens têm propensão a TER, BUSCAR, ou DESEJAR mais parceiros sexuais do que as mulheres. 

Aí podemos imaginar o porquê dos homens sentirem tanto arrependimento de inação quanto aos relacionamentos sexuais casuais... E as mulheres de terem arrependimentos de ação nos relacionamentos de curto prazo. O período fértil feminino é curto (hoje, até por volta dos 40 anos), então não se pode “perder tempo” com homens que buscam sexo e nada mais. Desde a invenção dos métodos contraceptivos, no entanto, a mulher tem mais liberdade para desfrutar o sexo casual sem ter uma gravidez indesejada. Sem este “ônus”, é provável que haja com o passar do tempo uma menor diferença entre os sexos no que tange o desejo por sexo casual.  

Eike Batista, no mundo ancestral, faria um enorme sucesso
 entre as mulheres devido aos recursos que ele poderia
disponibilizar (Eike: se ler isso me adote).
Para engrossar mais o caldo do mundo dos arrependimentos amorosos, Susan Coats et al (2012) verificaram com estudantes universitários quais eram as características dos parceiros com os quais tiveram arrependimentos de ação e inação. Confirmando as hipóteses iniciais do estudo, os homens se sentiram mais arrependidos tanto por terem quanto por não terem se envolvido com mulheres atraentes (arrependimento de ação e inação, seja em relacionamentos casuais ou de longo prazo). Em contraste, as mulheres tiveram arrependimentos de ação em relacionamentos de longo prazo com homens avarentos; nos arrependimentos de inação, citaram que os parceiros tinham bons recursos financeiros. Nos relacionamentos casuais, não houve uma característica peculiar do parceiro nos arrependimentos.

Estes dados sugerem que a herança de nossos ancestrais influi de alguma maneira sobre o comportamento da pessoa contemporânea, seja homem ou mulher. O homem ancestral que não se esforçou em copular com mulheres saudáveis e atraentes provavelmente não passou seus genes “pra frente”. Já mulheres que não se envolveram com homens com bons recursos, não conseguiram ter tanto sucesso reprodutivo. Ao contrário, mulheres que fizeram sexo casual com homens descompromissados provavelmente se arrependeram quando se viram sozinhas, cheias de filhos pra criar e sem suporte. 

Arrependimento, embora seja uma situação desagradável, tem uma função: motiva as pessoas a corrigir os erros de suas ações. Estes achados podem indicar a “adaptação do arrependimento”, que ajuda homens e mulheres a buscar/evitar potenciais parceiros de curto ou longo prazo, de acordo com quem é ou tenha sido reprodutivamente mais benéfico.


Para saber mais:

COATS, S.; HARRINGTON, J. T.; BEAUBOUEF, M.; LOCKE, H. Sex Differences in relantionships regret: the role of perceived mate characteristics. Evolutionary Psychology, v. 10, n. 3, p. 422-442, 2012.

ROESE, N. J.; PENNINGTON, G. L.; COLEMAN, J.; JANICKI, M.; LI, N. P.; KENRICK, D. T. Sex differences in regret: All for love or some for lust? Personality and Social Psychology Bulletin, v. 32, p. 770-780, 2006.

SCHIMITT, D. P ; et al. Universal sex differences in the desire for sexual variety: tests from 52 nations, 6 continents, and 13 islands. Journal of personality and social psychology, v. 85, n. 1, p. 85-104, 2003. 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um brinde à amizade!

"Amizade é um amor que nunca acaba" (Mario Quintana)

Como é bom ter amigos, não é? 

Ter aquele(s) parceiro(s) que tanto acalenta(m) as dores em momentos difíceis quanto transforma(m) situações que poderiam passar despercebidas em instantes únicos e inesquecíveis.

Michel Foucault
(15/10/1926 - 25/06/1984)
O filósofo francês Michel Foucault via na amizade uma forma de reinventar a vida e superar criativamente as relações de dominação entre as pessoas.

Com efeito, em tempos de crise, amigos possuem um enorme potencial para diminuir efeitos do estresse, melhorar o humor e auto-estima, bem como favorecer em estratégias de resolução de problemas.

Além do mais, rotineiramente são divulgados estudos demonstrando o quanto vínculos de amizade estão atrelados à saúde, bem-estar e prolongamento da vida.

ENFIM... NADA COMO UM BOM AMIGO, NÃO É???

Em contraponto, presenciamos atualmente um tempo cujo convite à solidão e individualismo estão incrivelmente mais atraentes. O livro é de AUTO-AJUDA, o restaurante é SELF-SERVICE, e por aí se vai numa infinidade de outros exemplos que reforçam mais e mais a ideia estadunidense de SELF-MADE MAN!

Porém, longe de estar criticando os benefícios deste modo de vida (que contribuem muito em aspectos como a autonomia, inclusive) reconhece-se também o quanto a sociedade vem se modificando bastante, a ponto de se reelaborar formas de pensar o que é família, repaginar os modos de convívio social e do quanto os laços de amizade contribuem para um relacionamento amoroso mais saudável.

FRIENDS, série cuja trama se desenrolava em torno de um grupo de amigos que, desastres a parte, forneciam um ótimo apoio social nas dificuldades dos componentes do grupo.

Trazendo a conversa pro campo da etologia, estudos com primatas demonstram que a maioria deles também costumam se organizar em grupos, com mais de três adultos.

Na maioria das espécies animais, em situações de conflito, quem vence é o maior, mais forte ou o que possui algum atributo físico que lhe forneça vantagem na batalha.

Em contrapartida, primatas contam não só com seus atributos físicos, como também com suas estratégias sociais. No caso, há um maior investimento, por parte dos primatas, na construção de alianças, favorecendo que membros, com porte físico inferior ao adversário, possam triunfar (haja vista o auxílio dos aliados presentes).

Um outro componente importante, vincula-se a questão de que indivíduos com mais habilidades para a formação e manutenção de alianças, costumam ter também maior sucesso reprodutivo.

Estas informações fornecem interessantes pistas para um rastreamento do nosso passado ancestral, no que diz respeito a amizade e organização social. Haja vista os registros fósseis indicando que a vida em comunidade já era uma realidade para nossos ancestrais. 

A formação de vínculos grupais para o auxílio na caça e proteção, pode requerer um cérebro com capacidades de prever o comportamento alheio e, também, contribuir para que o próprio comportamento não seja previsível (olha o início do comportamento de malandragem aí! HAHAHA).

Dado o fato de que ficar sozinho e longe do acampamento poderia refletir em um grande risco, uma vez que a estrutura física da maioria dos primatas, inclusive a nossa, não seja lá grande coisa, sugere-se que todos nós (Homo-sapiens) sejamos descendentes, primordialmente, daqueles que sabiam trabalhar em grupo (haja vista o baixo sucesso reprodutivo dos que optavam por ficarem sozinhos).

Este raciocínio ganha mais força quando registros fósseis denunciam o fato da expansão do cérebro coincidir com a época em que, o gênero Homo, passou a habitar predominantemente campos abertos e construir ferramentas. 

Neste ponto é válido ressaltar o quanto a capacidade de produzir instrumentos de auxílio (ferramentas) incide em um alto grau de desenvolvimento cerebral, levando-se em conta que para produzir uma ferramenta, faz-se necessário que se tenha capacidades de planejamentos e raciocínios a longo prazo, para que se possa projetar um material que seja eficaz.

ALTRUÍSMO RECÍPROCO vs EMPATIA

Em 1971, Robert Trivers postulou uma controversa teoria, da qual ele chamou de "Altruísmo recíproco". Segundo ele, os animais, longe de serem solidários e cooperativos, agem de modo egoísta e os custos dos favores prestados devem ser recompensados.

No reino animal como um todo, existem cooperações com não-parentes, porém elas acontecem mediante pagamentos imediatos. Já no caso dos seres humanos, por terem passado por esse histórico ancestral (destacados anteriormente), o desenvolvimento de funções cognitivas mais refinadas permite que haja uma maior negociação a longo prazo, havendo a possibilidade de que o favor seja pago mais pro futuro.

Esta capacidade do ser humano, permite-o lembrar e avaliar aqueles que merecem continuar recebendo favores. Para os que não retribuem, acontece um processo cujo relacionamento sofre uma ruptura (deixa-se de oferecer benefícios ao trapaceiro).

Em oposição a esta ideia, Frans de Waal acredita na capacidade de solidariedade dos animais, sobretudo na dos humanos, mediadas pela capacidade empática. Conforme já comentei aqui (em um post sobre empatia), é possível encontrar casos de pessoas que chegam a arriscar a própria vida para salvar a de outros, ou então de pessoas doando anonimamente utensílios ou dinheiro, para pessoas que não conhece e que provavelmente não terá nenhum outro contato no futuro. Condições estas que tornam a hipótese do "altruísmo recíproco" insustentáveis. Além do mais, Frans de Waal já encontrou exemplos de solidariedade, altruísmo, senso de justiça e cooperação em outros primatas, elefantes e golfinhos.

Assim, para entender como a amizade foi possível, atribui-se a possibilidade de ser uma espécie de sub-produto da evolução da cooperação entre indivíduos da mesma família.

Falando de outra maneira, aceleradas modificações no ambiente podem ter sido rápidas a ponto de que nossos comportamentos não conseguiram tempo suficiente para se adaptarQuando os comportamentos de amizade foram se estabelecendo, ao longo da evolução, as comunidades mal possuíam 100 pessoas, sendo grande parte destas, aparentados.

Para isto, lembremos que parentes (familiares) possuem nossos genes, então é maior a probabilidade de providenciarmos benefícios a estes. As sociedades foram crescendo, crescendo, crescendo, até que começou a dificultar na identificação de quem era parente ou não. Os indivíduos não parentes, de certa maneira passaram a substituir os familiares.

Agora, soma-se a isso, nossa capacidade de empatia. Pronto... chegamos ao que conhecemos hoje por essa forma de relação, que aconteceu meio que por acidente, mas que mesmo assim é tão boa.

FELIZ DIA DO AMIGO!!!

=========================================================
Para esse post foram consultados textos dos livros:
- "O gene egoísta" (Autor: Richard Dawkins)
"Fundamentos de Psicologia: Psicologia Evolucionista" (Organizado por: Emma Otta e Maria Emilia Yamamoto)
- "A era da empatia: lições da natureza para uma sociedade mais gentil" (Autor: Frans de Waal)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

...mas eu me mordo de ciúmes!

Nos anos 80, um dos grandes hits da época era a música "Ciúme". Nela, a banda Ultraje a Rigor, além de praticamente descrever os principais comportamentos de alguém altamente ciumento, explora - com bom humor - a dificuldade enfrentada por um rapaz em adaptar-se às novas condições da época em que vive (mesmo com todo o incentivo que recebe de sua parceira afetiva).

Para aqueles que não estão lembrando qual é a música (ma oeee!), gostam dela ou, por incrível que pareça,
 ainda não conhecem-na, segue a versão acústica dela:


Pois bem... 
Essa necessidade em levar uma vida moderninha (como descreve a letra) é uma discussão recorrente em novelas, livros e filmes.

Babila Teixeira Marcos, de 24 anos.
Morta a facadas pelo marido. Segundo
familiares: "ele era muito ciumento".
Na literatura, "Otelo" (de William Shakespeare) e "Dom Casmurro" (de Machado de Assis), são duas obras clássicas que abordam o conteúdo do ciúme, explorando o mais tênue dos sentimentos inerentes a esta condição. 

Na vida real, cotidianamente ficamos sabendo de situações de ciúme, que vão desde uma leve insegurança até trágicos incidentes que veiculam pela mídia, sendo o mais recente,
o caso do esquartejamento do diretor executivo da Yoki.

Em maior ou menor proporção, TODOS nós experienciamos um certo ciúme. Para tanto o auto-controle torna-se quesito totalmente pertinente para que casos de pequenas inseguranças pessoais não se tornem um outro assunto em pauta nas páginas policias de jornais.

Por definição, podemos entender que o ciúme seria uma reação negativa ao envolvimento do seu parceiro com outra pessoa. Este envolvimento pode ser sexual ou afetivo, pode ser real ou imaginado


C
omo base nos levantamentos feitos acima, é possível observar como o ciúme é um assunto bastante atrelado ao sofrimento e pode contribuir para danos à própria espécie, sendo motivo desencadeador de rupturas amorosas e, até mesmo, de homicídios (como visto acima). No entanto, alguns especialistas no assunto, como o psicólogo evolucionista David Buss, por exemplo, apontam para a direção do ciúme ser uma característica importante para a nossa espécie, haja vista sua implicação no ambiente de adaptação evolutiva.


A LÓGICA EVOLUCIONISTA
Ao aplicar o raciocínio evolucionista, devemos nos lembrar que uma de suas lógicas repercute no indivíduo atuando de modo que favoreça a propagação de seus genes. 

R
eproduzir e investir na prole ofertando cuidados e demais subsídios para sua sobrevivência, são questões que demandam gastos energéticos aos cuidadores, no entanto, ela viabiliza que seus sucessores possam ter uma vida saudável e passe adiante os genes.


Destes gastos, os custos e benefícios passam a entrar em cena, favorecendo um investimento diferencial entre machos e fêmeas, predeterminando a maneira como tais irão se comportar um em relação ao outro.



IMPORTANTE: Investimentos nos filhos, necessidade de reproduzir-se e demais comportamentos que evoquem condições como estas, não implicam necessariamente em uma intencionalidade consciente. São expressões finais de um longo processo de seleção natural, que favorecem que um organismo se comporte de determinada maneira.

Ainda que cada espécie possua sua peculiaridade, em grande parte dos mamíferos a gestação é feminina.
Para ela, os custos biológicos na formação do filho refletem em demandas quanto a cuidados no período de gestação, haja vista algumas restrições proporcionadas por este momento.
No ambiente ancestral, força física e acúmulo de recursos
poderiam ser dados como características fundamentais de
um bom cuidador, haja vista seu vigor físico para a busca do
alimento e seus acúmulos para períodos de escassez.

No caso dos humanos
, as mulheres passam por um período de 9 meses de gestação, SENDO PASSÍVEL DE OCORRÊNCIA nos últimos 3 meses algumas condições como falta de ar, desconfortos, inchaços nas extremidades... Enfim, condições que demandam cuidado e atenção de outrem! 


Para tanto, em relacionamentos
a mulher tende a procurar um parceiro que potencialmente possa oferecer para ela, e posteriormente aos filhos, recursos e cuidados para a manutenção de uma vida saudável para todos.


Enquanto uma mulher só pode ter um ou dois (em casos extremos até seis, sete ou oito) filhos a cada 9 meses, um homem pode produzir muito mais que esta quantidade de filhos em apenas uma noite (difícil, mas possível)!

Deste modo, a preocupação masculina vincula-se mais à sua exibição e competição, no intento de cativar o maior número possível de garotas que possam passar seus genes adiante.


ENTRETANTO...


Criar filhos demandam custos, por isso, é compreensível que os cuidadores deem preferências para ofertar cuidados aos próprios filhos (questões como a adoção é um outro caso que pretendo debater em um outro post). Neste ponto, a mulher sempre terá 100% de certeza quanto sua maternidade... mas e o homem também?!?
Na obra "Dom Casmurro", Bentinho vive o sofrimento do ciúme,
e reforça a possibilidade de uma traição de Capitu (sua esposa)
ao observar aspectos do filho do casal, que teriam a ver com
Escobar, um grande amigo de Bentinho.

Pois é... esta incerteza quanto a paternidade é uma condição que assola a parte masculina. Deste modo, seu ciúme possui raízes sexuais, ou seja, teme que sua mulher tenha relações sexuais com outro parceiro
.


Em contrapartida, a parte feminina pode ficar insegura quanto as relações afetivas do seu parceiro, haja vista a possibilidade deste em optar por disponibilizar os recursos, que outrora eram dedicados a ela, para uma outra mulher (e por recursos entende-se não só materiais, mas também aspectos afetivos: carinho e atenção, por exemplo)!!!

Esta ponderação apresenta que homens e mulheres tendem a manifestar ciúmes sob diferentes condições. Pensando nisso, David Buss postula uma teoria que diferencia dois tipos diferentes de ciúmes:
o emocional (predominantemente feminino) e o sexual (predominantemente masculino).


Um post que se aprofunda mais nesse estudo
realizado por David Buss, pode ser encontrado
no blog 
Científica Mente (vale a pena conferir)


Para compreender isso melhor, Buss fez um levantamento com estudantes universitários, que demonstrou em seus resultados a predominância masculina de manifestação do ciúmes em situações de traição sexual, e a predominância feminina em sentir-se ameaçadas quando confrontadas com acontecimentos que remete seu parceiro envolvido emocionalmente com outra.


Este estudo foi replicado por diferentes pesquisadores em diferentes culturas, em que pode ser identificado uma influência cultural nas manifestações do ciúme, no entanto, as taxas de predominância mantinham-se como homens relatando mais ciúmes sexuais e mulheres apontando os ciúmes emocionais como elemento perturbador.

Por fim, constatar a influência cultural no ciúme, demonstra que ele está sujeito a aprendizagens e que não é uma condição imutável do nosso organismo. Temos sim a predisposição para... Não significa que devemos manter isso! Podemos aprender com ele, controlá-lo e modificar nosso modo de interpretar determinadas situações e adequar-se aos novos paradigmas que cada sociedade vive.






*Gostaria de agradecer a Helen Mezoni, pelas dicas na formulação do texto. Obrigado!

=========================================================

Para esse post foram consultados textos dos livros:
"Fundamentos de Psicologia: Psicologia Evolucionista" (Organizado por: Emma Otta e Maria Emilia Yamamoto)

- "A paixão perigosa: por que o ciúme é tão necessário quanto o amor e o sexo" (Autor: David Buss)